Bom dia,

Nunca foi minha intenção realizar um evento simples, tinha que ser algo em grande e era inaceitável para mim não o conseguir! Não me focava em ter imensos participantes mas sim que os que participassem saíssem satisfeitos e com vontade de voltar no próximo. Queria levar o nome do Núcleo de Estudantes de Gestão mais além e fazer com que o “Sport Challenge” fosse o primeiro evento desportivo na Universidade que englobasse empresas, participantes estudantes e não estudantes, personalidades reconhecidas do desporto a nível nacional e mundial e que tivesse uma causa solidária associada. Tinha que acontecer, desse por onde desse!

O plano inicial que tinha para a atividade era uma Meia Maratona. Tinha o plano todo do evento feito ao máximo pormenor que consegui. No entanto surgiram barreiras exteriores a nós que não seriam possíveis de combater por sermos uma entidade pequena. Não tínhamos força suficiente para que acreditassem em nós e nos deixassem tentar. Mas não abandonei a ideia, simplesmente lhe reduzi a dimensão. Passou de uma Meia Maratona na cidade para um Corta Mato na Universidade.

Comecei a contactar empresas no início do verão, e passado um mês tinha contactado 98 empresas, e até ao momento não tinha uma única resposta de interesse. Pelo contrário, todas as respostas eram de valorização do objetivo da atividade mas ou não havia capacidades monetárias para apoiar ou não tinham pessoal para participar.

Pensei em desistir. Nessa altura, depois de tanto trabalho e sem resultados pensei que o melhor seria parar por ali e fazer algo mais seguro, pois se continuasse iria ser um enorme desastre. Até que alguns dias depois fui contactada pela Perform Group e pela Decathlon para marcar uma reunião. Tudo mudou aí! Toda a tristeza e desmotivação que tinha começado a ter foram trocadas por ainda mais empenho. Foi aí que percebi que afinal aquilo que era uma ideia perfeita no papel podia efetivamente passar para a realidade. Depois destas surgiu a confirmação de patrocínio por parte do Pingo Doce, da Associação de Atletismo de Aveiro e da Associação Académica da Universidade de Aveiro. A partir daqui tudo se foi compondo.

E como se não bastasse, conseguir que os contactos criados com o tecido empresarial não se resumissem apenas ao evento mas sim garantir a continuidade da interação das empresas com os estudantes foi para mim uma das maiores vitórias!

Acabei o evento com contactos de empresas que nunca pensei ter, conversei com eles quer do mercado de trabalho quer de assuntos que nada têm a ver com o mesmo. Pessoalmente, percebi que a interação com as empresas mais cedo me estimulou a querer chegar ao nível delas ou mesmo superá-las, e ajudou-me a criar motivação para criar objetivos mais definidos na minha vida.

Se alguma vez pensei em estar frente a frente com a grande Inês Henriques, ou mesmo com a própria Rosa Mota? Bem, foi até motivo de risos e ironias quando falei nisso a primeira vez. Quando tive a ideia gozei comigo própria de tão inalcançável que era, e foi exatamente por ser tão improvável que se tornava para mim o maior desafio que tinha que ser superado em que só pararia de tentar quando me dessem um “não” que já não tivesse mais volta a dar!

Depois de ter enviado os convites para as atletas, vi nas redes sociais que a Inês tinha recebido um convite para ir à Lituânia dia 14 de outubro receber um prémio. Gelei. Pensei que não ia estar presente por ter que fazer a viagem com antecedência, era óbvio. Era tão impossível, e o que as iria fazer vir a uma Universidade? Onde é que eu estaria com a cabeça por pensar que conseguia ter atletas olímpicos no evento?

Um mês antes do “Sport Challenge” acontecer a Inês Henriques confirmou! O meu sentimento de satisfação ia aumentando porque já tinha uma atleta que, como se não bastasse, ainda era Campeã e Recordista Mundial. Em relação à Rosa Mota foi mais tardio. Complicações de saúde da atleta condicionavam a presença dela. Estive até ao último dia à espera de saber a confirmação. 24h antes do evento recebi uma chamada. Quando vi quem me ligava pensei logo que era para informar que não ia conseguir. Atendi tentando-me convencer a mim própria que teria que reagir com calma e que a resposta que eu temia era inevitável. Do outro lado ouço um “Olá Francisca Quelhas! Pode contar com a presença”. Sabem o que é estar sem reação e a explodir de euforia ao mesmo tempo? Não teve nada haver, foi muito mais que isso!

No grande dia, tive estudantes, professores, amigos e família a participar. Quando entrei no Núcleo depois de arrumarmos tudo só me apetecia dar aquele grito de sentimento de dever cumprido!

O sucesso é baseado no compromisso. Comprometi-me comigo própria que trazia cá empresas e atletas e que tudo reverteria a favor de uma causa social. Mais do que provar alguma coisa a alguém, eu queria provar a mim própria que conseguia. Assim foi.

Anseio que um dia o “Sport Challenge” seja o nome da primeira ideia que tivemos para o evento: a Meia Maratona na cidade de Aveiro! Já ganhou nome mas é preciso continuar a trabalhar para que se torne uma marca de um evento irreverente na interação de estudantes com empresários usando como elo de ligação o desporto.

Organizar este evento era uma ideia louca. E foi exatamente por isso que foi um sucesso!

Quando me pedem para explicar como foi organizar o “Sport Challenge”, nunca sei o que dizer. Até ele acontecer eu arranjava todas as formas possíveis para explicar o que era e o que iria acontecer, e agora que terminou, estupidamente não consigo arranjar palavras para explicar o que fiz, o que vivi e o que senti a organizá-lo. Corro até o risco de dizer coisas sem nexo e que, de certeza absoluta, que não vão transmitir toda a paixão que quero quando falo nele.

O “Sport Challenge” é o menino dos meus olhos, a primeira coisa a que eu me dedicava ao acordar e a última a pensar antes de me deitar. Dediquei-me a ele com tudo o que tinha, pondo muitas vezes em segundo plano a família e os amigos, no entanto foi por uma boa causa e eles sabem disso. Foram imensos meses de trabalho e que por isso espero sinceramente que consigam, algum dia, sentir por ele o que eu sinto hoje: o respeito e devoção pelo projeto que mais me fez crescer e que é o que me faz dizer que com ele vivi a vida académica na prática. Não basta organizar o “Sport Challenge”, é preciso vivê-lo.

Francisca Quelhas